22 agosto 2014

Transcedência


  Quando tudo o que você quer é enlouquecer e esquecer de tudo, os acordes se organizam em uma ordem natural construindo sons capazes de transformar cada gota de lágrima, cada angulo de um sorriso ou uma simples inexpressão em algo positivo. Um positivo relativo, que mesmo se pra você for o negativo, vale a pena.  
  Algo me diz que headphones foram planejados para armazenar problemas e externar soluções em um fluxo bidirecional em que todas as perturbações se esvaecem ao longo de cada arranjo ao passo em a harmonia se constitui. Que se foda o resto, é um momento seu e é sempre válido! Mas é sensacional quando cada centímetro do seu corpo se envolve num mix de sensações que beira a transcendentalidade de um orgasmo. Querer fugir do mundo não é um ato condenável e a música é o catalizador da reação em que seu corpo é a base do sistema. 
  A cada frase que escrevo um arrepio diferente percorre a alma, quando só o ato de descrever a sensação te envolve e o corpo para de responder de forma racional o espetáculo chega ao ápice. Quem disse que o irracional é ruim? As vezes enlouquecer vale a pena, perder o juízo causa boas experiências e a irracionalidade pode ser uma das melhores sensações do mundo! Relaxa, para de pensar besteira, tira essa rigidez da cabeça, as coisas não precisam ser tão sérias.
  Tem uma festa acontecendo na minha cabeça e só nós dois fomos convidados. 

03 agosto 2014

Deixa de ser besta!

  Deixa de ser besta, hoje não é dia de questionar valores. Nenhum dia é. Admirar mesmo secretamente, gente que sabe dizer o que tem que dizer de forma tão precisa que não se configura em um julgamento, é um dom. Opinião e julgamento as vezes se diferem em aspectos tão subjetivos que é quase impossível distinguir, a maldade invade a mente e torna tudo isso mais difícil. Deixar o comodismo vencer pelo cansaço é o cúmulo até pro mais fraco ser humano, mas "humano" e "fraco" na mesma oração é pleonasmo. Sabe que hoje você pode jogar tudo pela janela e fazer o que quiser, né? Difícil é ter coragem por conta da imensidão de julgamentos mascarados em que cairá de mergulho. Hoje eu não tenho medo, as palavras saem de forma inevitável, a exaustão do cotidiano causa crises existenciais que atacam a exaustão da pressão social. Amanhã, já descansada, dificilmente cairia na lábia da inspiração, nem uma palavra completamente sincera seria dita, apenas demagogia conduziria meu pensamento, guiada por instintos inconscientes, porém demagogos da mesma forma. E de que serve o argumento se ele é inconsciente? A graça é extrapolar, porra! Agir sem ter medo de não ter alternativa ao reconhecimento de cada ato, melhor, agir esperando poder reconhecer cada um deles. Mas larguei de mão e deixei pra terminar isso amanhã, tudo vai parecer ótimo, cada letra vai fluir e as palavras vão se encaixar perfeitamente, mas minha verdade não tem lugar nesse repouso.

11 julho 2014

E se o erro for o melhor caminho?

 
  Algumas coisas não mudam, a gente sabe que nunca vão mudar, mas mesmo assim somos capazes de apostar no contrário. Engraçado como nos testamos diariamente de forma tão involuntária, mentimos pra nós mesmos tendo plena noção da verdade, mas também é verdade que se não fizéssemos isso algumas coisas não seriam tão interessantes. Que graça teria não brincar com fogo? Onde está a empolgação de viver sempre na zona de conforto? A gente já se adapta a tanta coisa inevitável, aos tijolos da rotina que vivem em uma espécie de "looping" eterno que beira o perigo, à argamassa das consequências que fixam nossos atos ao receio, aos vergalhões da sociedade que molda indivíduos...
   É verdade que a ausência dessas condições poderia causar estragos muito maiores, a estrutura é eficaz mas nada é tão perfeito sem suas imperfeições. Difícil é dosar. Aos poucos a gente dá conta de aprender o certo e o errado e o critério não vai além da consciência, a gente sabe que algo não é certo se massacramos nossos princípios, acontece que em algum momento da vida desenvolvemos uma espécie de masoquismo que põe em questão tudo isso, precisamos sair do comodismo e os conceitos de certo e errado se invertem, os princípios não, caso contrário a sensação de erro se configuraria em um acerto e definitivamente a intenção é contrária. A inversão de valores confunde, mas a sensação de acertar apostando no erro é única. 

03 julho 2014

Nada além de mim

  Dizem as más línguas que eu tô cega. Eu não concordo, míope talvez.
  Já declinei de todos os argumentos que foram lançados para consolidar a minha cegueira, apenas ignorando-os consegui abalar qualquer fundamento. Talvez minha suposta cegueira tenha originado um desenvolvimento anormal dos outros sentidos, agora eu consigo passar por cima de qualquer apelação, então podemos concluir que o tiro saiu pela culatra, o feitiço virou-se contra o feiticeiro...definam como julgarem melhor. Aprendi que qualquer tentativa de ataque resulta numa tática de defesa que se aperfeiçoa a cada toque na ferida. E eu nem mesmo acredito em tantas limitações que atribuem a mim, apenas me aproveito do papel de alvo que assumi para tirar algumas lições de vida., é isso que a gente faz quando dizem que não temos idade suficiente pra saber das coisas. Sugeri a mim mesma a prática do desapego dos rancores e mágoas daqueles que buscam em minhas lágrimas uma espécie de portfólio de provas para a autoafirmação, posso até retrucar, bater o pé e fazer pirraça mas no fundo mesmo, alimento uma gargalhada sugestiva de superioridade, pois afinal de contas eu não preciso de nada além de autoconfiança para firmar meus pés no chão. Por isso admito que posso ser míope, não cega, pois uma cegueira não permite enxergar os próprios erros ou até mesmo aceitar julgamentos injustos levando em troca apenas lições pessoais, nada que se possa exibir por aí sem que se perca a própria essência do ato. Pode parecer arrogante, mas não é nada além de mim.

30 junho 2014

Relaxa! Você é um alicerce!

 Só queria registrar uma coisa: não entendo, desisti faz tempo de entender a mentalidade humana. Sabe que nem parei pra pensar sobre isso? Foi um reflexão espontânea e imperfeita para ser transposta em palavras. Mas agora já era, tornou-se inquietação. As vezes nós temos a falsa impressão de um mundo sólido em que as pessoas se apoiam umas nas outras mesmo que superficialmente, nos dá a impressão de solidez, chega a um ponto que nos esquecemos da superficialidade da maioria dos laços sociais. Mas se surge um tempinho livre, alguns minutinhos que sejam, elas aparecem, aquelas interrogaçõeszinhas inconvenientes que nos fazem parecer meio bobos, persistindo em questionamentos nem tão vazios de significado que levam a escanteio tudo aquilo que nos torna parte de uma sociedade "conformada". Não sei ainda como as pessoas lidam com isso de maneira tão natural, ou fingem lidar, pois eu tenho a absoluta certeza de que no íntimo realmente não é. Todos nós nos remoemos quando percebemos o desmoronar da torre de cartas que construímos, seja pequena, grande, bem elaborada ou a mais simples, nos empenhamos naquilo de alguma forma, mesmo que inconsciente, aquela construção que tem, por vezes, suas bases na autoafirmação e pode chegar a uma dependência profunda de um outro ser humano que por sua vez, também tem seus alicerces (você pode ou não ser um deles). Vez ou outra a incerteza se aflora, abalando as bases, tornando o topo trêmulo e o coração incrédulo, mas relaxa, alguma parte desse interminável cabo de guerra não se sustenta sem você.

06 maio 2014

Inquietação


  Se existe algo que eu nunca imaginaria pensar é que eu mudaria de tal forma. E os pensamentos ecoam na minha mente com tanta frequência que me fazem perder o fio da meada da vida. Preciso me conter. O que eu tenho hoje me faz feliz, não plena. Mas o que eu posso ter me fará plena e não feliz. Parece contraditório e impossível, quisera eu que fosse. Já desisti de apartar a minha tortura mental, apagar a linha tênue entre o querer e o poder. Mas sonhar não é pecado, é? Mas quando eu sonho, transpareço. Dá vontade de perder as chaves do quarto e a mim, em pensamentos que soariam como uma miragem, diante à tanto marasmo. E qual seria a solução? Se me proíbo de imaginar, tormento. Se penso, não consigo parar e me culpo. Qual é o segredo para o equilíbrio mental? Antes tão banal, agora uma agulha no palheiro. Sentir-se ameaçada por seus próprios pensamentos e vontades quando eles são completamente fora do comum, do seu comum, é torturante e ao mesmo tempo inspira autoafirmação. Sinto que eu, na iminência do erro, estou prestes a tomar a decisão mais certa. Irônico, porém claro. Sou ou não um poço de confusões? Mas e se não fosse, ainda seria eu?

15 março 2014

Ele não me deixaria, nunca!



   Hoje cedo o despertador se calou, tamanho era o cansaço que tornou seu tormento suportável. Olhei pela janela e só via cinza, motivando nada mais do que algumas horas extras de sono. Mas não seria possível, com aquele semblante desprovido de qualquer euforia eu me sufocava a cada passo pretendendo chegar ao comodo ao lado, a cozinha. Ao avista-lo as minhas feições mudaram, o rosto pálido e sem vontade de agir deu lugar ao lábio mordido e maçãs rosadas denunciando a timidez por você ainda estar ali. Engoli a seco a vontade de voltar correndo à cama, e te fazer perder de vista entre as almofadas, a minha face corada. Mas e aí? Deixaria você simplesmente pegar as suas coisas e ir embora, recebendo apenas um beijo na testa? Não, definitivamente isso não aconteceria. Pela primeira vez na minha vida eu agiria, o quão difícil fosse não seria pior do que deixar você ir sem saber o quanto me fez feliz. Percebi que havia feito café e algumas torradas, aproveitei a oportunidade para ocupar a boca que dava margem às palavras, que insistiam em permanecer entaladas em minha garganta, e ter um pretexto para não dizer o quanto estava bonito com os cabelos bagunçados e o rosto recém molhado ao acordar. Terminei a primeira xícara, não peguei nenhuma torrada e antes que ele pudesse escolher o que iria comer, beijei seus lábios ainda quentes por conta da prova do café. E nos deitamos. Realmente, ele não iria me deixar após um beijo na testa. Ele apenas não me deixaria, nunca.