17 setembro 2014

O paraíso problemático/nostálgico de La roux

   Oi povo bom! Hoje o esquema aqui vai ser um pouco diferente, andei escutando o novo disco da banda britânica La Roux e foi mais forte do que eu, cá estou então pra apresentar à vocês o meu mais novo (tá, nem tão novo) queridinho. Sob o título de "Trouble in paradise" o álbum conta com 9 músicas que claramente desconstroem toda a ideia do álbum anterior (La roux, 2009) e ao mesmo tempo reconstroem ao passo que são usadas referências do mesmo pra marcar a ruptura (musical e estética). 
  É claramente perceptível a pegada 80's e a tentativa de fuga da automaticidade da industria pop atual, as faixas diferem sutil porém significativamente das do primeiro disco (as melodias continuam chiclete, mas nem tanto), com exceção de  "sing your name", que lembra aquela pegada de "Quicksand" que já estávamos acostumados a ouvir. "The feeling" mata aquela sede dos característicos falsetes de Elly Jackson. "Tropical Chancer" e "Cruel Sexuality" são duas que, em minha humilde opinião, denunciam a vibe mais crua, menos nervosa do novo disco. 
   Quando, no título do post, atribuí ao álbum o adjetivo "nostálgico" eu não pensei somente na vibe anos 80, nem na sequência de referências em ruptura com o álbum anterior, mas também pela faixa "Paradise is you" que possui uma pegada melancólica que juntando com todos os fatores citados antes, pra mim, daria uma trilha sonora perfeita pro momento exato (now) em que escrevo este post hahaha. Palhaçadas à parte, vamos ao que interessa? Ta aí ó, o álbum completo e de brinde o recém lançado clipe de "Kiss and not tell" todinhos procêis!







08 setembro 2014

Roleta Russa


 Hoje eu acordei assim, afim de lançar mão de qualquer vestígio de malícia pra esquecer os pesares da inocência. A beleza está nos olhos de quem enxerga e não de quem vê, da mesma forma que o coração que sente talvez não seja este mesmo. Resisto com firmeza a vontade de ir até você e ser o que eu sou, prefiro a frieza e seriedade que não serão mal interpretadas. Até dá pra sorrir, mas a sinceridade é algo que não se vê faz tempo. 
  Tirar a máscara do orgulho é uma tarefa difícil como não achei que fosse, você tá ali e eu aqui, olhares sem rumo apenas contando com a sorte para que não se encontrem, se acontece o disfarce é certeiro. Mas não é convincente. As coisas acontecem e eu nem vejo, cada movimento só retém minha atenção se for seu, pois ela também é sua. Admito em segredo. 
 Todo cuidado é pouco, qualquer risco é assumido desde que estejamos nessa faixa de gaza que é o espaço entre nós e que por mais temível que seja é melhor que a distância, por mais ridículo que seja é melhor do que a ausência, pior, por mais indiferente que façamos parecer é sempre relevante.
  Talvez sejam estas palavras as que não deviam ser lidas, tô delatando nosso jogo, nossa gracinha, a inconsequência do dia, expondo as regras e possibilidades de vitória, revelando de bandeja minha estratégia final, mas que seja, o jogo é nosso e só jogamos nós. A roleta é russa também e você perdeu sua vez...ou talvez só tenha adiado. 

22 agosto 2014

Transcedência


  Quando tudo o que você quer é enlouquecer e esquecer de tudo, os acordes se organizam em uma ordem natural construindo sons capazes de transformar cada gota de lágrima, cada angulo de um sorriso ou uma simples inexpressão em algo positivo. Um positivo relativo, que mesmo se pra você for o negativo, vale a pena.  
  Algo me diz que headphones foram planejados para armazenar problemas e externar soluções em um fluxo bidirecional em que todas as perturbações se esvaecem ao longo de cada arranjo ao passo em a harmonia se constitui. Que se foda o resto, é um momento seu e é sempre válido! Mas é sensacional quando cada centímetro do seu corpo se envolve num mix de sensações que beira a transcendentalidade de um orgasmo. Querer fugir do mundo não é um ato condenável e a música é o catalizador da reação em que seu corpo é a base do sistema. 
  A cada frase que escrevo um arrepio diferente percorre a alma, quando só o ato de descrever a sensação te envolve e o corpo para de responder de forma racional o espetáculo chega ao ápice. Quem disse que o irracional é ruim? As vezes enlouquecer vale a pena, perder o juízo causa boas experiências e a irracionalidade pode ser uma das melhores sensações do mundo! Relaxa, para de pensar besteira, tira essa rigidez da cabeça, as coisas não precisam ser tão sérias.
  Tem uma festa acontecendo na minha cabeça e só nós dois fomos convidados. 

03 agosto 2014

Deixa de ser besta!

  Deixa de ser besta, hoje não é dia de questionar valores. Nenhum dia é. Admirar mesmo secretamente, gente que sabe dizer o que tem que dizer de forma tão precisa que não se configura em um julgamento, é um dom. Opinião e julgamento as vezes se diferem em aspectos tão subjetivos que é quase impossível distinguir, a maldade invade a mente e torna tudo isso mais difícil. Deixar o comodismo vencer pelo cansaço é o cúmulo até pro mais fraco ser humano, mas "humano" e "fraco" na mesma oração é pleonasmo. Sabe que hoje você pode jogar tudo pela janela e fazer o que quiser, né? Difícil é ter coragem por conta da imensidão de julgamentos mascarados em que cairá de mergulho. Hoje eu não tenho medo, as palavras saem de forma inevitável, a exaustão do cotidiano causa crises existenciais que atacam a exaustão da pressão social. Amanhã, já descansada, dificilmente cairia na lábia da inspiração, nem uma palavra completamente sincera seria dita, apenas demagogia conduziria meu pensamento, guiada por instintos inconscientes, porém demagogos da mesma forma. E de que serve o argumento se ele é inconsciente? A graça é extrapolar, porra! Agir sem ter medo de não ter alternativa ao reconhecimento de cada ato, melhor, agir esperando poder reconhecer cada um deles. Mas larguei de mão e deixei pra terminar isso amanhã, tudo vai parecer ótimo, cada letra vai fluir e as palavras vão se encaixar perfeitamente, mas minha verdade não tem lugar nesse repouso.

11 julho 2014

E se o erro for o melhor caminho?

 
  Algumas coisas não mudam, a gente sabe que nunca vão mudar, mas mesmo assim somos capazes de apostar no contrário. Engraçado como nos testamos diariamente de forma tão involuntária, mentimos pra nós mesmos tendo plena noção da verdade, mas também é verdade que se não fizéssemos isso algumas coisas não seriam tão interessantes. Que graça teria não brincar com fogo? Onde está a empolgação de viver sempre na zona de conforto? A gente já se adapta a tanta coisa inevitável, aos tijolos da rotina que vivem em uma espécie de "looping" eterno que beira o perigo, à argamassa das consequências que fixam nossos atos ao receio, aos vergalhões da sociedade que molda indivíduos...
   É verdade que a ausência dessas condições poderia causar estragos muito maiores, a estrutura é eficaz mas nada é tão perfeito sem suas imperfeições. Difícil é dosar. Aos poucos a gente dá conta de aprender o certo e o errado e o critério não vai além da consciência, a gente sabe que algo não é certo se massacramos nossos princípios, acontece que em algum momento da vida desenvolvemos uma espécie de masoquismo que põe em questão tudo isso, precisamos sair do comodismo e os conceitos de certo e errado se invertem, os princípios não, caso contrário a sensação de erro se configuraria em um acerto e definitivamente a intenção é contrária. A inversão de valores confunde, mas a sensação de acertar apostando no erro é única. 

03 julho 2014

Nada além de mim

  Dizem as más línguas que eu tô cega. Eu não concordo, míope talvez.
  Já declinei de todos os argumentos que foram lançados para consolidar a minha cegueira, apenas ignorando-os consegui abalar qualquer fundamento. Talvez minha suposta cegueira tenha originado um desenvolvimento anormal dos outros sentidos, agora eu consigo passar por cima de qualquer apelação, então podemos concluir que o tiro saiu pela culatra, o feitiço virou-se contra o feiticeiro...definam como julgarem melhor. Aprendi que qualquer tentativa de ataque resulta numa tática de defesa que se aperfeiçoa a cada toque na ferida. E eu nem mesmo acredito em tantas limitações que atribuem a mim, apenas me aproveito do papel de alvo que assumi para tirar algumas lições de vida., é isso que a gente faz quando dizem que não temos idade suficiente pra saber das coisas. Sugeri a mim mesma a prática do desapego dos rancores e mágoas daqueles que buscam em minhas lágrimas uma espécie de portfólio de provas para a autoafirmação, posso até retrucar, bater o pé e fazer pirraça mas no fundo mesmo, alimento uma gargalhada sugestiva de superioridade, pois afinal de contas eu não preciso de nada além de autoconfiança para firmar meus pés no chão. Por isso admito que posso ser míope, não cega, pois uma cegueira não permite enxergar os próprios erros ou até mesmo aceitar julgamentos injustos levando em troca apenas lições pessoais, nada que se possa exibir por aí sem que se perca a própria essência do ato. Pode parecer arrogante, mas não é nada além de mim.

30 junho 2014

Relaxa! Você é um alicerce!

 Só queria registrar uma coisa: não entendo, desisti faz tempo de entender a mentalidade humana. Sabe que nem parei pra pensar sobre isso? Foi um reflexão espontânea e imperfeita para ser transposta em palavras. Mas agora já era, tornou-se inquietação. As vezes nós temos a falsa impressão de um mundo sólido em que as pessoas se apoiam umas nas outras mesmo que superficialmente, nos dá a impressão de solidez, chega a um ponto que nos esquecemos da superficialidade da maioria dos laços sociais. Mas se surge um tempinho livre, alguns minutinhos que sejam, elas aparecem, aquelas interrogaçõeszinhas inconvenientes que nos fazem parecer meio bobos, persistindo em questionamentos nem tão vazios de significado que levam a escanteio tudo aquilo que nos torna parte de uma sociedade "conformada". Não sei ainda como as pessoas lidam com isso de maneira tão natural, ou fingem lidar, pois eu tenho a absoluta certeza de que no íntimo realmente não é. Todos nós nos remoemos quando percebemos o desmoronar da torre de cartas que construímos, seja pequena, grande, bem elaborada ou a mais simples, nos empenhamos naquilo de alguma forma, mesmo que inconsciente, aquela construção que tem, por vezes, suas bases na autoafirmação e pode chegar a uma dependência profunda de um outro ser humano que por sua vez, também tem seus alicerces (você pode ou não ser um deles). Vez ou outra a incerteza se aflora, abalando as bases, tornando o topo trêmulo e o coração incrédulo, mas relaxa, alguma parte desse interminável cabo de guerra não se sustenta sem você.